Tecnologia mortal – nanobots

18 setembro, 08:14

Inclusão digital é arriscada porque facilita o acesso a montanhas de informação a pessoas que não têm capacidade de absorver tanto. Ou sequer entender grande parte.

Acesso a informação não deveria ser mais fácil que acesso a educação, porque as consequências podem ser catastróficas, se não para a sociedade, pelo menos para o indivíduo que não sabe filtrar os dados que recebe.

Quase todo dia eu vejo um exemplo disso: a babá do meu sobrinho, a empregada dos meus pais, o filho da recepcionista da empresa; todos têm Internet e todos são expostos a “notícias” de origem duvidosa, especialmente em formato de email-corrente.

O exemplo mais recente se deu -mais uma vez- no ônibus a caminho do trabalho.
Duas senhoritas fardadas com jeito de vendedoras de loja de shopping estavam discutindo tecnologia, pois uma tinha acabado de ganhar um celular num plano novo da operadora e estava tentando vender o antigo.
Apesar de usar a palavra “antigo” diversas vezes, eu consegui ouvir -elas estavam falando muito alto e meu MP3 estava sem bateria, então eu não tinha escolha- que o outro telefone tinha apenas oito meses de uso, mas era consideravelmente maior que o novo, e por causa desse fato elas começaram a falar sobre como as coisas tendem a diminuir.

Eis que então uma delas solta:
– Eu li na Internet que tem uns cientistas preparando uma, como é o nome? Meleca cinzenta! Então, é um negócio bem pequenininho mesmo, cabem bem muitos na ponta de uma agulha, um milhão parece! E são tipo umas máquinas que só servem para fazer mais delas mesmas. É muito estranho e parece que vai comer tudo que é vivo no mundo!

E a conversa descambou para “como os cientistas vão acabar com o mundo”.
Essa meleca cinzenta a qual ela se referia é mais conhecido como “gosma cinza” e é apenas um cenário apocalíptico onde nanorrobôs autorreplicantes consumiriam toda a matéria orgânica terrestre com o único intuito de se multiplicar para fazer mais e mais deles mesmos.

A palavra-chave aí é “cenário”. Alguém sugeriu que isso poderia ser uma possibilidade se realmente criássemos tais minimáquinas e se a liberássemos no ambiente.
A primeira coisa não aconteceu e já foi até eticamente proibida, impossibilitando a segunda e anulando os efeitos da premissa oculta de apocalipse tecnológico.

Mas minhas colegas de ônibus não sabem de nada disso, uma recebeu um email escrito por um apologista do caos e contou “só o filé” para a outra, que certamente vai espalhar para seus amigos e familiares, criando uma corrente indestrutível de desinformação e medo. Tecnofobia, para ser mais exato.

Os nanorrobôs até existem e podem, teoricamente, ser construidos para se autorreplicarem, mas por que alguém faria isso?
Os riscos são grande demais, não só para o indivíduo como para todo o planeta.
E mesmo que alguém fosse louco suficiente para querer realmente destruir a Terra, quem tem condições de criar coisas em escala nanométricas não trabalha só, mas faz parte de uma equipe. E a probabilidade de todos os envolvidos num projeto desse tipo destestarem tanto a Vida a ponto de querer aniquilá-la é tão baixa que não merece sequer um segundo de atenção.

Mas nem todo mundo possui o equipamento intelectual necessário para pensar assim.
É mais fácil achar que “os cientistas” vão acabar com o mundo!

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2 Respostas to “Tecnologia mortal – nanobots”


  1. […] eu escuto, dentro do ônibus, como a nanotecnologia vai acabar com o mundo. Mas dessa vez não são nanobots. Não! A nanotecnologia vai nos matar lentamente, depois de anos e anos de luta contra câncer, […]


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