Terremoto e tsunami em Sumatra

1 outubro, 09:40

Precisei olhar num mapa. Fica perto da Índia, mais ou menos abaixo da Tailândia e Vietnã.
A única lembrança da localização de Sumatra que eu tinha era do joguinho de guerra de tabuleiro, onde ela fica acima da Austrália. O mapa no jogo é surpreendentemente pouco preciso.

As estatísticas oficiais já passam de milhares de mortos.
As previsões televisivas já falam em outro “tsunami natalino” quanto ao número de mortos. E no rádio, a caminho do trabalho, ouvi um comentarista usar a expressão “Tsunami 2.0”, como se o de 2004 houvesse sido a primeira grande onda de água a varrer uma costa e matar pessoas.

Certos indivíduos simplesmente não estão mentalmente preparados para falar em público e não deveriam obter permissão para fazê-lo. Principalmente quando complementa a notícia acima comparando o acontecimento ao terremoto de São Paulo em abril do ano passado.
“Pode acontecer aqui também! Nada impede!”
Eu e as placas tectônicas discordamos dele. Mas nós não fazemos parte da mídia de massa.

Tenho certeza absoluta que uma senhora três bancos à minha frente estava ouvindo o mesmo programa, pois assim que eu ouvi essa barbaridade, ela arregalou os olhos, retirou o fone do ouvido esquerdo e comentou alguma coisa com a passageira ao seu lado.
Que prontamente ficou boquiaberta.

Será que a desobrigatoriedade do diploma de jornalista está levando os que se formaram nisso a se desesperar e querer acabar com o mundo mais rapidamente? É uma hipótese razoável, eu acho.

Como da “primeira vez”, na véspera do Natal de 2004, uma parte -podre, eu devo acrescentar- do mundo cristão está culpando a não-aceitação de uma divindade específica por partes do “selvagens” asiáticos pela dizimação da população da area.
E as comparações são inacreditáveis! Um amigo me mandou um link de um fórum de um braço radical da igreja onde os participantes estão contentes com a morte de milhares, “quiçá milhões!”, brada um dos moderadores em resposta ao tópico “Quantos pecadores Deus vai recolher desta vez?”.

Aparentemente, não observar o dia dos Santos Arcanjos é um pecado punível com afogamento em massa.
Não tão grave quanto não reconhecer o aniversário arbitrariamente convencionado de um nazareno, mas grave.

Em 2004, foi Jesus que empurrou as águas. Anteontem foram Gabriel, Rafael e Miguel.
Desordeiros, se me perguntarem.

Até onde vai o ódio dos seres humanos por seus semelhantes?
Não basta alguns estarem a milhares de quilômetros, influenciando absolutamente nada em sua vida, você precisa vê-los todos mortos por não concordarem filosoficamente com você num aspecto da vida totalmente desprovido de sentido fora dele mesmo?
Isso sim deveria ser punido com afogamento em massa!

Eu só espero que isso não estrague o almoço com meu tio daqui a pouco.
60 anos é uma data a se comemorar.

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