E.T. não nos conhece!

12 outubro, 07:14

O que está acontecendo com o mundo?
Em que dia exatamente ultrapassamos o limiar entre o receio responsável e o pânico descontrolado?

Como eu disse semana passada, astrônomos acharam um sinal de rádio proveniente de um outro planeta e há uma forte suspeita de que ele tenha sido produzido por vida inteligente.

Isso não é excelente?
Eu acho que sim, mas estou obviamente errado, pois discordo do resto do mundo, que resolveu se revoltar contra uma ameaça inexistente.

A confirmação internacional demorou apenas cinco dias -e não anos, como eu esperava- e agora todos os telescópios do mundo estão voltando para um certo sistema estelar onde está o transmissor alienígena, como a imprensa está chamando.

O pânico -eu acho, mas faz sentido- se deve ao fato de, em menos de oito horas, quase a totalidade dos blogues com a mínima inclinação científica estar discutindo sobre o achado e, no dia seguinte, até alguns jornais de menor circulação passaram matérias -quase todas idênticas e 100% copiada dos blogues- falando sobre isso, mas já distorcendo com manchetes do tipo “eles estão vindo!“.

Isso deve ter feito muito gente tensa, mas a gota d’água veio durante a madrugada, quando o maior jornal do mundo publicou em seu portal a confirmação dos dados pelos italianos e cópias escritas começaram a chegar às bancas de Nova Iorque.
As informações do site poderiam até ser falsas, mas na edição física?

Faz uma hora meia mais ou menos que o jornal saiu e até agora apenas as maiores cidades da costa leste dos EUA receberam o periódico, mas a notícia já é “de ontem”.
Jornais do Velho Mundo publicaram manchetes da confirmação antes mesmo do instituto italiano se manifestar a respeito.
A informação vazou -com muita força- e a onda de desespero infundado está se alastrando pelo planeta junto com o raiar do sol.

Achamos um sinal. E daí?

Em primeiro lugar ainda não sabemos se é uma mensagem “para fora” ou apenas um desenho animado transmitido por uma antena muito mais forte do que deveria.
E mesmo que seja uma declaração de guerra, não significa que eles estão vindo, porque, além da distância inefavelmente incompreensível, o fato de termos captado não infere que outrem saiba disso, assim como quando você assiste a uma novela não quer dizer que os atores estejam cientes de que você os está vendo.
A transmissão é uma via de mão única, e mesmo que estivéssemos mandando sinais para lá -o que não estamos fazendo- eles ainda demorariam algumas centenas de milhares de anos para receber.
Nesse sentido, estamos a salvo.

Outro ponto importante: por causa da distância absurda que nos separa da fonte do sinal, essa possível civilização -é sempre bom lembrar que ainda não temos certeza que isso seja fruto de inteligência; existe alguma coisa lá fora, mas ela ainda não faz sentido para nós- teve potencialmente cento e poucos mil anos para evoluir além da mera capacidade de produzir ondas de rádio e pode até ser capaz de viajar mais rápido que a luz e chegar aqui instantaneamente, mas será que eles iriam querer algo assim?
Para seres tão mais superiores, seríamos pouco mais que uma curiosidade biológica. Assim como musgo é para nós.
Porque quando o sinal saiu de lá, nossa espécie havia acabado de aparecer e ainda nem haviamos saído da África.

Mas é bem mais estatisticamente provável que essa “civilização” tenha sido extinta, levada à cabo pela explosão de sua estrela, alguns milhares de anos atrás em sua linha de tempo.

Se esse sinal for artificial.
Se for mesmo uma mensagem.
Se o povo que a criou ainda existir.
Se eles souberem da nossa existência.
Se eles tiverem interesse em nos visitar.
Se eles tiverem capacidade de chegar aqui nos próximos séculos.
Se suas intenções forem hostis.
São muitos “se’s” para tirar meu sono.

Será que o que eu descrevi ontem tem algo a ver com isso?

A atividade contemporânea favorita das pessoas é entrar em pânico.
Por favor, mantenham a calma.

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5 Respostas to “E.T. não nos conhece!”

  1. Enik Says:

    O importante de não entrar em pânico é pensar nas consequências.

    Se eles podem fazer transmissões de rádio, eles também podem construir armas de destruição em massa capazes de devastar toda a superfície da Terra em segundos.

    Quando formos expurgados da face da Terra pela invasão dos aliens, devemos pensar que: se há vida após a morte e há céu e inferno, haverá também graves consequências de nossas ações neste momento de pavor e desespero.

    Eu prefiro não arriscar baseado em improbabilidades.

  2. Carlos Hotta Says:

    A minha sensação é a de que o mundo prende a respiração em apreensão. O problema é que não sabemos quando ou se eles virão! Vamos esperar até quando?

    Quantos planos de contingência teremos que preparar?

    E se os ETs se comunicarem por cheiro, infravermelho, neutrinos? Eles podem ser tão alienígenas para nós que nunca iremos nos comunicar!


  3. […] fevereiro, 21:56 Lembram do transmissor alienígena? Agora lembram como a novidade morreu rapidamente quando ninguém achou mais […]


  4. […] março, 21:50 Ano passado, algum tempo depois de acharem um sinal interessante no espaço, eu achei que seria o fim da estória. Obviamente eu estava […]


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