Um novo tipo de violência religiosa

22 janeiro, 22:12

Muitos acham que o Vaticano é uma entidade religiosa, mas isso não é toda a verdade.
O controle religioso fica a cargo da Santa Sé, cuja sede se encontra no país politicamente controlado -e igual a qualquer outro- chamado Vaticano.
Aliás, excelentemente controlado pela equipe política, pois qual outro motivo teriam para passar Mary MacKillop -previamente excomungada, vale sempre lembrar- à frente de outros “concorrentes” à mais nova cadeira de santidade, senão pelo fato dela ter nascido na Austrália, um país infelizmente condenado?

O processo de santificação que, em breve, criará a primeira santa australiana começou setenta e cinco anos atrás e foi estranhamente apressado, quando o mais recente milagre confirmado foi aceito como prova real de intercessão.
Um detalhe pouco divulgado é que a saga de Kathleen Evans, uma senhora de 69 anos -hoje- e bisavó de dois, que durou dez meses entre o suposto diagnóstico de câncer pulmonar terminal e sua remissão, aconteceu vinte anos atrás. Mas apenas em dezembro passado, convenientemente após menos de um mês do apelo da ONU para tentar salvar o que resta da população daquele país, o poder político vaticano resolveu conceder o título à freira defunta.

Até aí tudo bem, o clubinho é deles, eles fazem o que quiser -apesar de eu achar que mexer com a ingenuidade alheia deveria ser considerado crime-. O problema é que nem todos caem nessa conversa e enxergam que a futura Santa pode até ter salvo a vida da velhinha, mas deixou milhares -quiçá milhões- morrerem à mingua, depois da tempestade de areia que efetivamente destruiu o país.

Não conseguindo enxergar esse tipo de “justiça divina”, alguns membros do Young Australian Sceptics and Freethinkers, grupo militante ateu mais bem organizado do mundo -a Austrália tem um histórico de tolerância religiosa exemplar- resolveram “testar a hipótese” e, talvez influenciados pela desordem completa que assola a Terra de Oz, se viram no direito de assassinar Evans, o alvo do suposto milagre de MacKillop.
Simples assim.

Enquanto Richard Dawkins vocifera e esbraveja contra o envio em massa de bíblias em áudio para os haitianos e tenta, sem sucesso, reunir o grupo mais heterogêneo e desunido que existe -ateus e livres-pensadores- para vencer a guerra de doações de pessoal e material para as vítimas dos terremotos no caribe, os até então melhores representantes da “causa” cometem um ato imbecil desses e perdem quase que completamente o respeito que conseguiram a duras penas nos últimos quinze anos.

O que aumenta o volume de evidências de que as pessoas são irracionais e idiotas, acreditando ou não num super-homem invisível.

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Uma resposta to “Um novo tipo de violência religiosa”

  1. Juninho Says:

    Foi uma ótima ideia testar o milagre, hehe… Sinceramente, religiosos fazem muito mais e são criticados muito menos, apesar de este ser um blog fictício.


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