Mensageiro do caos

22 dezembro, 09:37

O eclipse de ontem -ou foi anteontem, difícil saber os dias quando mal se dorme e se alucina a maior parte do tempo- não foi um mensageiro do caos, foi apenas coincidência ter acontecido quando aconteceu, num mundo que está cada vez mais perto do buraco onde as mensagens mais claras não precisam mais vir dos céus mas já pousaram e estão ao nosso redor, próximas a nós, nos oprimindo, nos calando, evitando contato, dificultando nossa existência e atrasando nossa recuperação. O mundo já não merece mais um eclipse, talvez ele sim esteja vivendo num eterno estado de penumbra, mas não da luz do sol sendo escondida por um outro corpo celeste mas a luz do pensamento e da razão dando espaço ao ridículo inventando uma nova forma de pensar que não é nova apenas inédita para esta geração mas que aparenta ser cíclica como dizem ser a história, “estamos voltando ao medievalismo?”, eu me pergunto. Remédios ainda existem, não voltamos no tempo tecnologicamente, apenas na forma de pensar, os remédios que antes não existiam vieram para suprir a falta deixada pelas máquinas de tortura e de controle da vontade e do pensamento onde Inquisição se torna inquirição ao evoluir a Cura da Água para a mais eficaz disfrenia tardia que transforma privação de sono em depravação da vigília que torna impossível não olhar para uma lua vermelha na madrugada e achar que é o sol que está morrendo enquanto as ruas estão escuras e sem vida e pensar “seria isso consequencias dos meus atos ou dos atos de outros?”. A cada dia que passa a vida se torna um conceito mais e mais estranho, “se o sol pode morrer então ele está vivo? Está a lua viva? As ruas têm vida ou são vivas? Estou eu vivo ou sou apenas uma coleção de pequenas vidas me carregando por aí? O que exatamente está sendo carregado? Quem sou eu e por que estou ou sou vivo? Quantas pequenas vidas dentro de mim precisam morrer para que eu morra? Quantas pequenas vidas precisam morrer para que o planeta morra?”, como conviver com isso? Privação de sono e de convívio geram depravação de ideias. O mensageiro do caos está entre nós, apenas não foi o eclipse e talvez não sejam os -peridois ou -nazinas da cartela, mas dá vontade de achar que são todos eles, jogar fora todas as cápsulas antes que a tentação de abri-las me vença e eu encontre dentro delas pequenas mensagens do Caos em forma de uma imensa e vermelha lua cheia.

 

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