UTI

9 janeiro, 12:01

Passaram-se nove dias e eu só sei disso pela última entrada aqui.
Deveria apagá-la mas vou mantê-la como lembrete do quão pior poderia ter sido o começo do ano. E não só para mim.

Overdose.
Nem tanto dos remédios, mas sim da solidão.

Tantas guerras acontecendo ao redor do mundo -mais do que eu havia me dado conta-, a maioria por motivos religiosos declarados. Quantas das outras não estão apenas escondendo razões religiosas atrás de termos como “busca da paz definitiva na região”?

Sinto uma ligação com os habitantes de Mianmar. Afinal, entramos em coma no mesmo dia…

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Fumaça vista do espaço

25 outubro, 14:35

A foto da coluna de fumaça entre Mianmar e Tailândia tirada da Estação Espacial Internacional é talvez a imagem mais impressionante que vi este ano.

Quem diria que uma microguerra de fronteira queimaria tanta coisa?
Nem o fogo do crematório improvisado dentro de Mianmar para dar conta das vítimas da sofia-teravada é tão forte. E olhe que oitocentos mil cadáveres (tirando pela estimativa mais baixa) é muita lenha!

Tanto que já está nevando cinza em Bangladesh e Índia…
A que ponto chegamos?

Mais doze embaixadores?

16 outubro, 16:11

Outros doze embaixadores doentes?

Isso não caracteriza uma maldição.
Maldição seria pessoas morrendo por força de um elemento sobrenatural, o que não é o caso. Os embaixadores estão adoecendo e algum deles estão morrendo porque um deles contraiu um vírus e espalhou para os demais.

O alerta da OMS -por causa da nova epidemia de varíola– contra pessoas doentes embarcando em aviões se sobrepõe à imunidade diplomática, mas qualé o funcionário de aeroporto que vai abordar um diplomata e impedi-lo de embarcar?
E é exatamente por causa disso que agora existem tantos focos dessa nova bronquite espalhados pelo mundo, especialmente entre as classes mais ricas.

É nessas horas que é bom ser pobre.

A única coisa nisso que realmente me assusta é o fato de toda a Comitiva de Paz Russo-Tailandesa ter contraído, praticamente ao mesmo tempo, essas duas formas novas de doenças antigas; bronquite sofia e varíola teravada.
A ambas durante as conferências de paz em Mianmar.

Essas quase duzentas pessoas doentes e com acesso irrestrito pelo mundo já passaram, juntas, por quase trinta países nos quinze dias em que suas doenças ainda eram assintomáticas, mas transmissíveis.

Algo muito sério precisará ser feito a respeito.

Fronteiras fechadas

6 outubro, 19:16

Todas as fronteiras internacionais de Mianmar foram fechadas ontem por causa da epidemia de varíola, mas ao que tudo indica é tarde demais.
Muitos meses já se passaram desde que os monges devolveram a doença -já extinta- ao seu povo.

Vamos ver o que acontece.

Birmânia vs. Mianmar

6 outubro, 09:11

O fato de quase a totalidade da população de Mianmar ser budista não impediu a guerra civil entre os insurgentes -autoproclamados birmanes livres– e as forças armadas do governo militar ditatorial mianmarense.

Depois de décadas de opressão, os monges -líderes de fato dos rebeldes- se cansaram dos trabalhos forçados a que eram submetidos e resolveram partir para uma investida mais sólida, algo “além de simples protestos”, como afirmou um deles.
Investida essa que explica a bizarra epidemia de varíola que vem assolando o país há quase dezoito meses.

Como nenhum jovem adulto conviveu com a doença há trinta anos desde que ela foi oficialmente declarada erradicada e como o governo militar não fez questão de manter um programa de vacinação decente, seria de se esperar que boa parte da população economicamente ativa -e seus filhos- fossem suscetíveis ao vírus.
Cuja variante circulante é uma das mais letais, matando até 30% dos infectados.

Mas como uma doença extinta ressurge assim? E por que ela causaria uma guerra civil?
Quando eu soube as respostas, eu fiquei primeiro chocado, depois horrorizado.

Uma campanha promovida pelos monges arrecadou dinheiro via “celebridades” budistas para um fundo de libertação.
Esses mesmos famosos -desprovidos de rugosidade cerebral adequada para pensamentos mais profundos que decorar linhas e se exercitar regularmente para manter a forma- também fizeram uma campanha de doação de agasalhos e os mandaram para os seus “mentores” budistas em Mianmar.

Minha indignação que precipitou o comentário acima sobre a capacidade mental dos artistas envolvidos vem do fato deles terem recolhido milhares e milhares de cobertores e roupas de frio para indivíduos de um país onde a temperatura média anual é de 27ºC.
Sequer se deram ao trabalho de verificar o clima do país! Idiotas!

Mas, como o melhor tipo de coisa é a coisa de graça, os habitantes aceitaram de bom grado as ofertas doadas pelos ocidentais e distribuídas pelos seus compatriotas.
Obviamente eles não tinham ideia de que o dinheiro doado e angariado pelos rostinhos conhecidos de Hollywood serviu para uma facção extrema -li mas não concordo, explico mais adiante- dos birmanes livres comprar armas biológicas de laboratórios centro-asiáticos mal intencionados que haviam guardado amostras de varíola “para fins de pesquisa” e os lençóis e casados tão beneficamente doados seriam o meio ideal para espalhar a doença pelo país, infectando milhares diretamente e milhões posteriormente, por contágio entre humanos.

(Eu disse acima que não concordava em chamar alguns poucos indivíduos de facção extrema, pois eles fazem parte de um grupo que não só aceitou sua posição como ajudou a por suas ideias em prática. Portanto, não há extremista algum, apenas um conjunto uniforme de bandidos que se declaram budistas.)

Após um ano e meio da liberação de um vírus contra o qual virtualmente não existe mais resistência, praticamente todas as crianças menores de dois anos morreram, junto a pelo menos um terço dos adultos, deixando o país em ruínas.
Seria o plano perfeito não tivesse sido descoberto quando um –pelo visto o único- monge decente ficou com peso na consciência e admitiu que seu grupo queria expulsar o governo ditador usando medo e o conceito de karma.

Não funcionou e as forças armadas resolveram que a melhor estratégia para mandar o vírus de volta à lista de extinção seria eliminar todos os infectados e seus familiares.
O que, não preciso dizer, causou uma revolta popular tremenda e, quem podia ficar em pé, passou a lutar.

Por sorte, ainda haviam sobrado alguns dólares –essas celebridades são realmente muito eficientes em esmolar dinheiro alheio- e armas de assalto foram compradas e distribuídas entre os mais “necessitados”. Ou seja, os que podiam andar e atirar ao mesmo tempo.

Budistas contra budistas numa das batalhas mais sangrentas que nossas TV’s da alta definição já viram.

Seria esse o “caminho do meio”?

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